
Bom, um pouco de desabafo!
Devaneios de um anexo embrionário que tenta se gente!




Sei que ainda sou jovem, mas as vezes me sinto com 600 anos, talvez por estar sempre no mesmo lugar, mesmo tendo se passado alguns anos. Quando criança eu imaginava com eu seria aos 17 anos. Agora eu tenho 24 e continuo sendo a mesma pessoa que era aos 7 ou 8 anos... será?
Bem, ainda travo de medo por alguém simplesmente levantar a voz para mim ou me lançar um olhar repreensivo, como se eu tivesse acabado de executar uma travessura. Mas mesmo assim não sou mais o mesmo. Hoje creio ser mais egoísta, mas frio, menos encantado e menos encantador.
Não sei se é pelo envelhecimento das células ou se é pelo envelhecimento da alma, mas o fato é que o brilho nos olhos se foi e eu ainda continuo sendo uma criança. Blá! Devo estar sendo um parvo neste momento. Se o leitor tiver ao menos dez anos a mais de vida do que o ser que vos escreve, é provável que veja tudo isso como um drama de um adolescente que não sabe o que é vida. E quer saber a verdade... é isso mesmo! Não tem como mais me enganar, sou um eterno adolescente, ou infanto, que seja. Por mais que eu tente me convencer que estou velho, que muito já se passou. Sendo que a verdade é outra! Isso não quer dizer que eu esteja falando algo do tipo “minha alma é jovem e bela, que serei sempre uma criança, e como tal, sempre curiosa e cheia de vida e viva a beleza infantil!”. Estou longe de ser isso... estou mais para um velho que não é capaz de se surpreender com as coisas mínimas e só é capaz de sentir o coração palpitar quando revê algo. E ainda sou uma criança. Nostálgico do passado não vivido (acho que já disso isso alguma vez..). E nessa vou vagando (está mais pra divagando) por entre trilhas que já passei, e se não passei porto-me como tal. Enfim, sou novo, sou velho, sou... ao menos isso ainda continuo acreditando. (será?).



-Bom dia amigo!
-Opa!
-Saindo pro trabalho?
-Nada... chegando da noite...
-Foste bem então?!
-Antes fosse... a vida tem sido isso. Tempo bom quando o Bourbon era pra relaxar e naum para me cortar.
-Mas por que diz isso?
-Deixe quieto, você não gostaria de saber, e seu trem vai passar... ele sempre passa.
-Peço-lhe desculpas então, pois realmente o tempo me falta, mas vamos marcar um drink? Então poderemos falar-nos em paz.
-Disso eu duvido, mas poderemos sim, claro! Porque não? A vida permitindo e a morte faltando, tudo nós é permitido. Marcado então.
-Abraço então... fique bem.
-Abraço e bom serviço.
Por fim ele entra em seu apartamento e encontra aquela guimba de cigarro marcada de batom que ela deixou em sua ultima frase. Esse pequeno objeto fedorento pra ele é como se fosse a última flor que havia brotado da velha cerejeira. Ele sabe por que ainda guarda isso, mas não compreende. Deita na cama e sente a garganta já com o amargo seco da ressaca que se aproxima. Antes lhe era mais fácil chegar em casa no alge da embriaguez, porém hoje os bares não lhe permite mais ficar até o astro maior chegar. É então que começa sua trilha pelas ruas que são sua última morada.
No princípio do seu sono vem-lhe imagens dos remotos tempos de choro infantil e vontade pueríl. A nostalgia o carrega para o sonho.
Sempre sentimos saudades das dores do passado, pois no passado elas habitam. Quando a dor ainda faz moradia essa sim sempre será a pior. Pelo menos até o proximo corte ou até o proximo porre.